Preservação e Conservação da Informação Digital

Assistimos na actualidade a um novo tipo de informação que merece cuidados de conservação e preservação especiais e que em muito se relacionam com a preservação de documentos audiovisuais, a informação digital. Este tipo de informação tem obtido um crescimento bastante grande e uma das maiores dúvidas consiste em perceber o que se torna importante preservar e conservar.
Um dos factores a ter em conta é que na preservação digital o suporte passa a ser um dado secundário, pois a atenção deve recair sobre o conteúdo.
Ao longo da literatura existente encontramos diversas formas de pensar, e concordamos com a perspectiva do Encontro da Preservação Digital[1].
Em primeiro lugar, deve dar-se atenção ao facto do produtor da informação digital ter uma parte bastante activa na preservação digital, na medida em que este deve ter preocupações com a protecção dos direitos de autor.
Um factor que deve, cada vez mais, ser levado em consideração é o custo da preservação digital, embora não exista um consenso acerca da maneira de alcançar os fundos necessários.
Verifica-se na actualidade uma necessidade de políticas e boas práticas relativas à preservação dos recursos digitais para que no fundo existam algumas regras normalizadoras para esta actividade.
Segundo o Manifesto para a Preservação Digital[2] cada vez mais se reconhece que a informação digital é bastante vulnerável o que constitui um grave problema para a preservação e consequentemente para a memória social a todos os níveis. Mais uma vez, vamos de encontro ao facto de na preservação digital, ao contrário do que acontece na tradicional, o principal enfoque ser seguramente o conteúdo. Porém, o suporte não poderá ser esquecido e uma das características principais será o facto de ser essencial verificar, se a informação poderá migrar para um suporte mais actual, para que este se conserve ao longo do tempo e também ter atenção ao tipo de formato no qual se encontra a informação para que possa ser visualizada futuramente.
No Manifesto[3] é ainda mencionada a importância da preservação dos recursos digitais, no que diz respeito às digitalizações e também aos recursos electrónicos disponíveis como jornais, revistas e sítios de referência publicados na Internet, eBooks, entre outros.
É também referida a importância dada à preservação digital, no caso dos arquivos de qualquer espécie, nos quais se aumenta ainda a preocupação da validade probatória que os documentos possuem
Relativamente aos arquivos audiovisuais, estes requerem sempre o auxilio do suporte que mesmo em condições óptimas pode degradar-se e torna ainda mais essencial a preservação, para que se evite o restauro, algumas vezes já impossível de realizar.
Os autores do Manifesto[4] reclamam ainda a falta de atenção que é dada aos arquivos deste tipo e ainda mais na actualidade que revela um crescente aumento desta informação e por isso é replicada o urgente cuidado a todas as entidades produtoras e receptoras. Para tal, referem algumas medidas que devem ser postas em prática: consideram que primeiramente se devem definir responsabilidades e políticas; depois dever-se-á definir claramente o âmbito da acção, ou seja, analisar requisitos, propor o planeamento, e ainda a concretização e avaliação de modelos e por fim, existir a obrigação de promover, responsabilizar e alertar o conhecimento.
Existem diversas estratégias[5] que podem ser levadas a cabo para se efectuar a preservação digital:
· o Software e Hardware devem ser mantidos em condições que permitam o acesso à informação;
· a digitalização, um método com alcance reduzido, pois não engloba documentos multimédia;
· A emulação, isto é, recrear a partir de Software o ambiente original no qual foi criado o documento;
· a migração, a mais comum das estratégias, na qual se transfere a informação de uma plataforma para outra mais actual;
· a encapsulação, que é um processo parecido com a migração, embora mantenha o formato original, através de um conjunto de instruções de programação;
· a utilização do XML (Extensible Markup Language), uma metalinguagem que permite a migração através da informação de estruturas e significados, permitindo a interoperabilidade de sistemas;
· a microfilmagem, que retira alguma qualidade, porém é bastante durável, mas que também não é indicada para documentos audiovisuais.
Existem ainda outras técnicas como a gravação em discos ópticos, etc. que podem sempre ser postas em causa pois poderão não existir tecnologias no futuro que reproduzam este tipo de material.
Devemos ainda verificar todas as vantagens[6] que resultam da existência de informação digital e que por isso incentivam a preservação:
· diminuição do acesso aos originais;
· fidelidade ao original;
· fidelidade na multiplicação das cópias;
· possibilidade distribuição em rede;
· maior acessibilidade à informação, tornando possível o acesso directo e imediato;
· facilidade na partilha de informação;
· elimina barreiras geográficas;
· economia de tempo e espaço;
· rapidez na actualização dos dados;
· possibilidade de manter cópias de segurança.
No entanto devem também ser mencionadas as desvantagens[7]:
· incapacidade dos actuais sistemas electrónicos de informação em assegurar a preservação a longo prazo;
· fragilidade intrínseca do armazenamento digital;
· complexidade e custos da preservação digital;
· multiplicidade de entidades envolvidas;
· dependência social da informação digital;
· problemas com direitos autorais;
· ausência de normas e padrões;
· atenção especial e constante às necessidade de armazenagem e migração.
[1] CAMPOS, Fernanda Maria – Informação digital: um novo património a preservar. Cadernos BAD, 2002, nº 2, p. 9
[2] Manifesto para a Preservação Digital [Em linha]. [Consult. 26 Dez. 2009]. Disponível em www:
[3] Idem
[4] Idem
[5] PROENÇA, Ana Luísa Raposo Martins; LOPES, Sandra Guerra - Digital Preservation [Em linha]. [Consult. 26 Dez. 2009]. Disponível em www:
[6] Ibidem, p. 10
[7] Idem
Imagem retirada de: https://diariodearquivistas.blogspot.com/2008/04/preservao-digital.html
